
Sistema galáctico com dois anéis brilhantes pode ter surgido após colisão frontal entre galáxias; buraco negro supermassivo em formação no espaço intergaláctico levanta hipóteses inéditas.
Observações recentes do Telescópio Espacial James Webb (JWST) revelaram um sistema galáctico com uma forma extremamente incomum que lembra o símbolo do infinito. A estrutura, formada por dois anéis brilhantes que se conectam, parece ter surgido após a colisão frontal entre duas galáxias, criando um formato raro no universo.
O que mais chama a atenção dos cientistas, porém, não está na forma curiosa, mas no centro dessa estrutura. Em vez de um buraco negro localizado no núcleo de uma galáxia — como normalmente acontece — os dados sugerem que um buraco negro supermassivo pode estar se formando no espaço entre as duas galáxias colididas.
Essa possibilidade levanta uma hipótese fascinante. Os pesquisadores acreditam que o fenômeno pode ser um exemplo raro de “colapso direto”, quando uma gigantesca nuvem de gás colapsa diretamente em um buraco negro sem passar primeiro pelo processo de formação de estrelas. Esse mecanismo é um dos candidatos teóricos para explicar como os buracos negros supermassivos surgiram tão rapidamente no início do universo, pouco tempo após o Big Bang.

Além disso, há indícios de que esse sistema possa conter até três buracos negros ativos ao mesmo tempo, o que tornaria a descoberta ainda mais excepcional. Mais do que uma galáxia com um formato curioso, essa descoberta pode oferecer pistas valiosas sobre como alguns dos objetos mais poderosos do cosmos se formam e evoluem.
Se a interpretação do colapso direto for confirmada por novas observações, o sistema galáctico em forma de infinito poderá ajudar a responder uma das maiores perguntas da astronomia moderna: como buracos negros supermassivos, com massas milhões ou bilhões de vezes maiores que a do Sol, conseguiram se formar em um período tão curto após o surgimento do universo.
A descoberta foi possível graças à capacidade do James Webb de observar o universo em infravermelho com resolução sem precedentes. O telescópio, lançado em 2021, tem revolucionado a astronomia ao revelar objetos e fenômenos que estavam ocultos aos instrumentos anteriores.
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Edição: Aurélio Fidêncio
Fonte: NASA / ESA / CSA / STScI
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