
Autoridades israelenses afirmam que corpo do aiatolá foi encontrado após operação conjunta com EUA; ministro da Defesa e comandante da Guarda Revolucionária também estariam entre os mortos.
Israel informou a autoridades dos Estados Unidos que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, foi morto neste sábado (28) em um ataque aéreo israelense lançado como parte da operação militar conjunta entre EUA e Israel contra o país persa. A informação foi divulgada pela agência Reuters e pelo site Axios, citando fontes oficiais israelenses.
Segundo uma autoridade israelense ouvida pelo Axios, a morte de Khamenei foi confirmada pelos serviços de inteligência de Israel. A Reuters acrescentou que, de acordo com um alto funcionário israelense, o corpo do líder supremo foi encontrado. Autoridades israelenses também afirmam que o ministro da Defesa do Irã e o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) estão entre os mortos.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou mais cedo que há “sinais crescentes” de que o líder supremo do Irã “se foi”, após o ataque ao complexo em Teerã associado ao chefe máximo do regime iraniano. Netanyahu classificou a operação como uma “chance única em uma geração” para derrubar o regime e indicou que a ofensiva contra o Irã continuará “pelo tempo necessário”.

REAÇÃO DO IRÃ
O chefe de relações públicas do gabinete do líder supremo do Irã reagiu acusando “os inimigos do país” de travarem uma “guerra psicológica”. Em nota, afirmou que “o inimigo está recorrendo à guerra psicológica, todos devem estar atentos”. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou logo após os ataques que Khamenei “está vivo, até onde eu saiba”.
Aos 86 anos, Khamenei comandava o Irã há 35 anos, o que o colocava entre os líderes há mais tempo no poder no mundo. Ele assumiu o posto máximo do regime em 1989, após a morte do fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini, e passou mais de três décadas consolidando controle quase total sobre o Estado, incluindo Judiciário, mídia estatal e forças de segurança.
CRISE DE SUCESSÃO
A morte de Khamenei abre imediatamente uma crise de sucessão em Teerã, sem um caminho claro. Pela Constituição iraniana, um conselho de clérigos deveria escolher o novo líder supremo, mas os ataques israelenses também miraram altos comandantes da Guarda Revolucionária e dirigentes políticos, deixando a cadeia de comando em estado de desorganização, segundo as fontes citadas.
Ainda de acordo com o Axios, Israel teria mirado também os filhos de Khamenei, mas avaliações de inteligência indicam que eles sobreviveram. Um deles, Mojtaba Khamenei, era amplamente apontado como possível sucessor do pai.
REAÇÃO DOS EUA E DA OPOSIÇÃO
Em um pronunciamento em vídeo durante a madrugada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que os iranianos permaneçam em casa durante a campanha de bombardeios, mas que se levantem para “assumir o governo” quando a operação militar terminar.
Do exílio, o príncipe Reza Pahlavi, herdeiro da antiga monarquia iraniana e uma das principais figuras da oposição, conclamou a população a ir às ruas e instou as forças de segurança a se juntarem à “nação” e apoiarem uma transição “estável e segura”. Segundo ele, o regime está em colapso e as forças de segurança correm o risco de “afundarem junto com o navio de Khamenei”.
IMPACTOS GEOPOLÍTICOS
A morte de Khamenei é vista em Israel e em Washington como um golpe profundo ao governo iraniano e, potencialmente, um fator de aceleração de seu colapso — algo que autoridades dos dois países vêm apontando como objetivo estratégico da ofensiva. A situação no Oriente Médio permanece tensa, com desdobramentos ainda incertos.
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Edição: Aurélio Fidêncio
Fonte: Reuters / Axios / Infomoney
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