
Decisão judicial designa a condenada pela morte dos pais como inventariante do espólio do tio, médico aposentado; nomeação é contestada por mulher que alega união estável com o falecido.
A Justiça de São Paulo determinou a nomeação de Suzane Louise Magnani Muniz, mais cnhecida por seu anntigo nome: “Suzane Von Richthofen”, condenada pelo assassinato dos pais, para administrar a herança de seu tio materno, o médico aposentado Miguel Abdalla Neto. A decisão da juíza Vanessa Vaitekunas Zapater, da 2ª Vara de Registros Públicos da capital paulista, segue a ordem legal de preferência. Como Miguel não deixou descendentes, ascendentes, cônjuge ou testamento, a prioridade sucessória recai sobre os sobrinhos. Suzane foi a única a se habilitar formalmente no processo, já que seu irmão, Andreas Von Richthofen, renunciou à herança, que é estimada em cerca de R$ 5 milhões.
A nomeação foi contestada pela defesa de Silvia Magnani (também identificada como Carmem Silvia Gonzalez Magnani), que afirma ter vivido em união estável com Miguel Abdalla Neto por mais de dez anos. Os advogados de Silvia manifestaram “profunda preocupação” com a decisão, argumentando que a nomeação foi prematura, pois o prazo para apresentação de documentos que comprovem a união estável ainda não se encerrou. Se a união for reconhecida judicialmente, Silvia poderá ter participação direta na partilha da herança, o que poderia alterar a administração dos bens atualmente sob responsabilidade de Suzane. A juíza, em sua decisão, ponderou sobre a falta de provas robustas apresentadas até o momento para comprovar o alegado relacionamento.

A defesa de Silvia Magnani também questionou atos realizados por Suzane após a morte do tio, ocorrida em janeiro de 2026. Ela é acusada de soldar os portões da casa do tio, no bairro Campo Belo, e de retirar um veículo Subaru XV, avaliado em cerca de R$ 200 mil, sem autorização judicial. Um boletim de ocorrência foi registrado pela acusação, listando a suposta retirada do carro, de uma máquina de lavar, de um sofá e de uma bolsa com documentos e dinheiro. A defesa de Suzane afirma que todas as medidas foram emergenciais para proteger o patrimônio, alegando que o imóvel sofreu invasões e furtos após a divulgação da morte. Quanto ao veículo, a defesa disse que ele foi guardado em local seguro até a deliberação judicial.
A magistrada explicitou em sua decisão que o histórico criminal de Suzane – condenada a 39 anos por homicídio qualificado – não a impede legalmente de exercer a função de inventariante, uma vez que o crime não foi praticado contra o tio ou envolveu seu patrimônio. Contudo, a Justiça impôs limites estritos aos poderes de Suzane: ela está autorizada apenas a realizar atos de conservação e manutenção do patrimônio, sendo expressamente proibida de vender, transferir ou usar os bens para fins pessoais sem autorização judicial prévia. Além disso, o processo de inventário foi suspenso, aguardando o julgamento definitivo da ação que discute a possível união estável entre Miguel e Silvia.
O caso da morte de Miguel Abdalla Neto permanece sob investigação da Polícia Civil como “morte suspeita”, já que a causa do óbito foi registrada como indeterminada. O corpo do médico foi encontrado em avançado estado de decomposição dentro de sua residência. Enquanto a disputa judicial segue seu curso, os bens do espólio, que incluem ao menos três imóveis na capital paulista e aplicações financeiras, ficam sob a gestão provisória de Suzane Von Richthofen, sob a supervisão da Justiça.
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Matéria: Aurélio Fidêncio
Fonte: Processos Judiciais e Notas de Defesa divulgadas à imprensa
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