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Cigarro eletrônico também vicia e pode deixar marcas irreversíveis, especialmente na vida das mulheres

Disfarçado por aromas, cores e aparência inofensiva, o cigarro eletrônico tem se espalhado principalmente entre jovens e mulheres, mas os riscos vão muito além do vício. Assim como o cigarro tradicional, ele causa dependência química e pode provocar danos severos à saúde, com impactos ainda mais cruéis quando o uso ocorre durante a gestação, afetando não apenas quem fuma, mas também crianças que sequer tiveram a chance de escolha.

Apesar da imagem moderna e da falsa ideia de ser menos prejudicial, o cigarro eletrônico é nocivo à saúde e provoca dependência por causa da nicotina, substância presente na maioria dos dispositivos eletrônicos para fumar. Essa dependência não é apenas física. Ela atinge também o campo psicológico e comportamental, criando uma relação de repetição difícil de romper.

A nicotina atua diretamente no sistema nervoso central, alterando emoções, comportamento e percepção de prazer. Ela estimula a liberação de neurotransmissores ligados à sensação de bem-estar, o que explica por que o usuário passa a repetir o consumo, mesmo sabendo dos riscos. Com o tempo, o cigarro deixa de ser escolha e passa a ser necessidade.

No caso dos cigarros eletrônicos, o problema se agrava porque a quantidade de nicotina pode ser muito maior do que a do cigarro tradicional. Enquanto o cigarro comum tem limite de 1 mg de nicotina por unidade, os líquidos usados nos vapes podem conter concentrações extremamente altas, chegando a dezenas de miligramas por mililitro. Isso significa mais dependência em menos tempo.

Além disso, o uso contínuo é outro fator preocupante. Diferente do cigarro convencional, que termina e impõe pausas, o eletrônico fica disponível o tempo todo. É usado em casa, no trabalho, em festas e até em ambientes fechados, o que aumenta a exposição diária à nicotina e a outras substâncias tóxicas inaladas junto com o vapor.

Para as mulheres, os danos podem ser ainda mais profundos. Durante a gestação, o uso de cigarros eletrônicos expõe o feto a substâncias que atravessam a placenta, interferindo diretamente no desenvolvimento do bebê. Isso pode resultar em parto prematuro, baixo peso ao nascer, problemas respiratórios, alterações neurológicas e até malformações graves.

Há também o impacto psicológico que costuma ser pouco discutido. Imagine uma mulher que descobre, após o nascimento do filho, que problemas sérios de saúde da criança podem estar ligados ao uso de cigarros eletrônicos durante a gestação. A culpa, o sofrimento emocional e o peso dessa descoberta acompanham essa mãe por toda a vida. Não é apenas um dano físico, é uma marca emocional permanente.

Mesmo fora da gravidez, mulheres tendem a enfrentar desafios específicos no abandono do vício. Muitas associam o cigarro ao alívio da ansiedade, do estresse, das pressões do dia a dia e das cobranças sociais. Essa ligação emocional torna o processo de parar ainda mais difícil, exigindo apoio psicológico e acompanhamento adequado.

Outro ponto de atenção é que mesmo dispositivos que se dizem “sem nicotina” não são seguros. Eles contêm outras substâncias químicas impróprias para inalação, capazes de causar inflamações pulmonares, irritações nas vias aéreas e efeitos ainda em estudo pela comunidade científica.

Parar de usar o cigarro eletrônico não é simples, mas é possível. A orientação atual é buscar os mesmos serviços oferecidos para quem deseja parar de fumar cigarro tradicional. O acompanhamento profissional ajuda a identificar os gatilhos emocionais e comportamentais ligados ao uso, além de esclarecer os reais riscos desses dispositivos, que nunca tiveram eficácia comprovada como método para abandonar o tabagismo.

É importante reforçar que parar de fumar significa consumo zero de nicotina, em qualquer forma. Reduzir, trocar de dispositivo ou substituir por outro produto não elimina o risco nem a dependência.

O cigarro eletrônico não é inofensivo, não é alternativa segura e pode causar danos profundos, especialmente na vida das mulheres e de crianças expostas ainda no ventre. Romper com o vício é um passo difícil, mas necessário para preservar a saúde física, emocional e o futuro de quem fuma e de quem depende dessas escolhas.

Aurélio Fidêncio

(15) 99732-1144

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