
Os torturadores fugiram para os Estados Unidos.
Dois dos quatro adolescentes suspeitos de torturar e matar o cão ‘Orelha’, na Praia Brava, em Florianópolis (SC), estão atualmente em viagem aos Estados Unidos. A informação foi confirmada pelo delegado-geral da Polícia Civil catarinense, Ulisses Gabriel, que afirmou que a viagem dos jovens estava “pré-programada” e que eles devem retornar ao Brasil na próxima semana. Enquanto isso, as defesas dos envolvidos não foram localizadas pela reportagem para se manifestar. Os outros dois suspeitos foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela polícia na última segunda-feira (26).
Além dos adolescentes, a operação policial também cumpriu um mandado de busca contra um adulto. A investigação apura que este homem estaria na posse de uma arma de fogo no momento em que teria ameaçado uma testemunha do caso. Durante a ação em sua residência, a polícia não localizou a arma, mas apreendeu uma quantidade de drogas para uso pessoal. O caso, que chocou o país, é acompanhado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) por meio de duas promotorias: a 10ª (Infância e Juventude) e a 32ª (Meio Ambiente).

O crime ocorreu no dia 4 de janeiro, mas só foi comunicado à Polícia Civil no dia 16. De acordo com as investigações, o cão Orelha foi agredido por um grupo de adolescentes na Praia Brava. O animal sofreu graves lesões na região da cabeça e morreu durante o atendimento veterinário. A demora na notificação às autoridades dificultou o início imediato das investigações e a preservação de provas no local do crime.
O Ministério Público informou que “diversas pessoas já foram ouvidas, e novas oitivas estão previstas para os próximos dias, conforme o avanço da investigação”. A 10ª Promotoria de Justiça, responsável por crimes envolvendo adolescentes, atua em conjunto com a 32ª Promotoria, que cuida de crimes ambientais – a maus-tratos a animais é enquadrado na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98). A expectativa é que, com o retorno dos dois suspeitos dos EUA, todos os quatro adolescentes sejam formalmente ouvidos e o inquérito policial avance para conclusão.
O caso reacendeu o debate público sobre a violência contra animais e a eficácia da legislação de proteção. A comoção nas redes sociais e a pressão popular têm mantido o caso em evidência, cobrando celeridade da Justiça. A viagem internacional dos suspeitos, embora legal e previamente marcada, adiciona uma complexidade logística e temporal ao processo. As autoridades garantem que o retorno deles ao país não impedirá a continuidade das investigações e a responsabilização dos envolvidos, dentro do que preveem o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a lei ambiental.
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Edição: Aurélio Fidêncio
Fonte: Polícia Civil de Santa Catarina / Ministério Público de SC
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