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Donald Trump Oferece Ajuda dos EUA ao Irã em Meio a Protestos e Repressão

Presidente americano publica que país está “pronto para ajudar” enquanto manifestações que pedem queda do governo deixam mais de 50 mortos e regime impõe apagão na internet.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou publicamente nesta sexta-feira (9) que seu país está “pronto para ajudar” o Irã, mergulhado em uma onda de protestos populares que já dura quase duas semanas e tem sido violentamente reprimida pelo regime, com mais de 50 mortos confirmados. A mensagem foi publicada por Trump em sua própria rede social, em um momento de tensão máxima, quando o governo iraniano decretou um apagão quase total da internet no país e cancelou voos internacionais para tentar isolar os manifestantes do mundo. A oferta de intervenção americana, ainda que não especificada, foi imediatamente utilizada pela liderança iraniana para justificar a repressão, ao acusar os protestos de serem uma ação de “vândalos” a serviço de Washington.

Os protestos no Irã começaram no dia 28 de dezembro, inicialmente motivados pelo aumento galopante dos preços e pela crise econômica que assola a população. No entanto, rapidamente as manifestações evoluíram para um caráter explicitamente político, com gritos pedindo a queda do governo teocrático e do líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei. A escalada da violência por parte das forças de segurança, que têm usado munição real contra os manifestantes, fez com que o número de mortos ultrapassasse a marca de 50, segundo relatos de agências internacionais e organizações de direitos humanos com contatos dentro do país. A situação é considerada a mais grave desde os protestos em massa de 2019.

Foi neste contexto que Donald Trump resolveu se manifestar. Em sua publicação, ele escreveu: “O Irã está em busca de liberdade, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar”. Embora a natureza dessa “ajuda” não tenha sido detalhada, analistas apontam que a declaração pode abranger desde apoio diplomático e moral até, em um cenário mais extremo, alguma forma de intervenção militar, uma possibilidade que Trump não descartou explicitamente. O presidente americano já havia afirmado, em entrevista, que os EUA poderiam entrar em ação caso o regime iraniano começasse a “matar” os manifestantes em grande escala. A postura representa uma guinada na retórica, potencializando o conflito interno iraniano como uma arena da disputa geopolítica entre Washington e Teerã.

A reação do regime iraniano foi imediata e previsível. O líder supremo Ali Khamenei e outros altos funcionários já vinham tentando enquadrar os protestos como uma conspiração externa. A declaração de Trump serviu como combustível perfeito para essa narrativa. Em pronunciamento, Khamenei afirmou que os protestos são obra de “inimigos do Irã” e “vândalos” que agem sob as ordens de Donald Trump e de outros países hostis. Essa estratégia visa deslegitimar as demandas populares por mudança, atribuindo-as a uma agenda estrangeira, e justificar a repressão brutal como uma medida de defesa nacional contra uma suposta guerra híbrida.

Paralelamente à violência nas ruas, o governo iraniano impôs uma das mais severas blackouts de comunicação já vistas no país. Desde quinta-feira (8), a internet foi quase totalmente cortada, com acesso restrito a poucas redes governamentais e corporativas. Ligações telefônicas internacionais também foram severamente prejudicadas, e voos de e para o Irã foram cancelados, isolando ainda mais o país. A medida tem um duplo objetivo: impedir que os manifestantes se organizem e comuniquem, e evitar que imagens da repressão crua cheguem ao mundo, dificultando a pressão internacional. Organizações como a NetBlocks confirmaram que a conectividade no Irã caiu para menos de 5% do nível normal.

A comunidade internacional observa a crise com crescente preocupação. Potências europeias têm feito apelos por moderação e pelo fim da violência, mas evitam um confronto direto com Teerã, temendo comprometer as frágeis negociações para retomar o acordo nuclear (JCPOA). A declaração de Trump, por outro lado, vai na direção oposta, apostando em uma pressão máxima. Especialistas alertam que qualquer movimento mais concreto de Washington, como a imposição de novas sanções ou, em um cenário catastrófico, uma ação militar, poderia não apenas falhar em ajudar os manifestantes, como consolidar o apoio interno ao regime, que se apresentaria como vítima de uma agressão imperialista.

O futuro imediato do Irã é incerto. O regime demonstra que está disposto a usar força letal para se manter no poder, e o apagão informativo dificulta aferir a real dimensão e força do movimento de protesto. A oferta de ajuda de Trump, enquanto dá esperança a alguns opositores, também introduz um elemento perigoso de confronto direto entre duas nações historicamente antagônicas. Os próximos dias serão decisivos para saber se o governo iraniano conseguirá sufocar as manifestações pelo medo e isolamento, ou se a fúria popular, alimentada pela crise econômica e pela repressão, conseguirá encontrar uma brecha para seguir desafiando as autoridades. Enquanto isso, a população iraniana paga o preço, presa entre a violência de seu próprio governo e as promessas de um presidente estrangeiro cujas intenções e consequências de sua “ajuda” são, no mínimo, imprevisíveis.

Edição: Aurélio Fidêncio
Fonte: Multiplas Fontes Internacionais
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Aurélio Fidêncio

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