Fraude bilionária no INSS acirra embate político entre Lula e Bolsonaro

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Esquema de descontos ilegais em aposentadorias expõe falhas de fiscalização e abre disputa narrativa entre governo e oposição

Uma investigação conduzida pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal revelou um esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios pagos pelo INSS, trazendo à tona não apenas a dimensão da fraude, mas também um embate político entre os ex-presidentes Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

O mecanismo envolvia sindicatos, federações e associações que, após firmarem convênios com o INSS, passavam a realizar descontos diretos em aposentadorias e pensões. O detalhe que escandalizou a opinião pública: uma parcela expressiva desses beneficiários nunca autorizou as cobranças, o que caracteriza fraude.

Os levantamentos preliminares apontam que, entre 2019 e 2024, cerca de R$ 6,3 bilhões circularam por meio desses convênios. Embora nem todos os valores estejam diretamente ligados a irregularidades, a suspeita é de que uma fatia significativa tenha origem em descontos fraudulentos.

A prática não é recente. Relatórios identificam registros de irregularidades desde 2018, ainda durante o governo Michel Temer. Entretanto, foi no período entre 2021 e 2022, na gestão Bolsonaro, que a maior parte das entidades suspeitas conseguiu firmar convênios com o INSS, criando a base para o esquema se expandir.

Já em 2023, sob o governo Lula, o volume de descontos irregulares cresceu de forma expressiva. A CGU apontou que o INSS falhou em adotar mecanismos de bloqueio e prevenção, permitindo que a fraude atingisse proporções bilionárias. A repercussão levou à saída de Alessandro Stefanutto da presidência do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi, que deixou a pasta em meio às pressões.

A disputa narrativa se intensificou. De um lado, aliados de Lula afirmam que o esquema nasceu na gestão Bolsonaro e que a atual administração foi responsável por expor e desmantelar a fraude. De outro, oposicionistas acusam o governo petista de omissão e até de conivência, pedindo a abertura de uma CPI no Congresso Nacional.

Além da dimensão política, o caso trouxe preocupação para aposentados e pensionistas que tiveram seus benefícios comprometidos por cobranças não autorizadas. Organizações de defesa do consumidor e entidades de aposentados exigem medidas urgentes de ressarcimento e maior transparência na relação entre o INSS e as entidades conveniadas.

O Judiciário acompanha o caso e já existem processos em curso para apurar responsabilidades criminais e civis. Especialistas em direito previdenciário destacam que o episódio revela não apenas a fragilidade dos sistemas de controle, mas também a vulnerabilidade de aposentados, muitas vezes sem acesso à informação digital, que se tornaram alvos fáceis para esquemas desse tipo.

O escândalo deve se prolongar nos tribunais e no cenário político, alimentando a polarização entre bolsonaristas e lulistas e transformando a fraude previdenciária em um novo campo de batalha na arena nacional.

Matéria: Aurélio Fidêncio
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