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Mortes em Protestos no Irã Ultrapassam a Marca de 500, Enquanto EUA e Israel São Ameaçados

Balanço de grupo de direitos humanos aponta 538 mortos após 15 dias de manifestações; Trump diz considerar “opções militares muito fortes”, e Irã promete retaliar contra bases americanas e Israel.

A repressão violenta aos protestos que agitam o Irã desde o fim de dezembro atingiu um novo e trágico patamar. De acordo com a organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, o número de mortos no país já supera 500 pessoas. O balanço mais recente, divulgado neste domingo (11), aponta 538 mortes, sendo 490 manifestantes e 48 membros das forças de segurança. As manifestações, que começaram em 28 de dezembro como um protesto contra a crise econômica, transformaram-se no maior desafio ao regime teocrático em anos, enquanto o governo impõe um severo apagão de internet e os Estados Unidos ameaçam uma intervenção militar.

Os números da HRANA detalham a escala da crise: mais de 10.600 pessoas foram detidas nas últimas duas semanas, incluindo pelo menos 160 menores de idade. A dificuldade de verificação é extrema, pois o Irã está há mais de 72 horas sob um “apagão nacional da internet”, com a conectividade em cerca de 1% do nível normal. Organizações de monitoramento classificam o bloqueio como uma “medida de censura” e uma “ameaça direta à segurança” da população, que fica impedida de se comunicar e de relatar abusos. A escuridão digital parece ser uma estratégia deliberada para isolar os protestos e permitir uma repressão mais dura, com relatos de forças de segurança usando armas de fogo, gás lacrimogêneo e munição letal contra os manifestantes.

A postura do governo iraniano é de confronto total. O presidente Masoud Pezeshkian, em discurso televisionado, pediu que as famílias impedissem seus filhos de se juntarem aos “desordeiros e terroristas”. Paralelamente, o Procurador-Geral do país emitiu uma ameaça gravíssima, alertando que manifestantes poderiam ser acusados de serem mohareb (“inimigos de Deus”), um crime punível com a pena de morte segundo a lei iraniana[citation:10]. Para tentar conter a onda de indignação, o regime convocou para esta segunda-feira uma “marcha de resistência nacional” em apoio ao governo, buscando demonstrar força diante dos protestos antigovernamentais que se espalharam por mais de 180 cidades.

A crise interna rapidamente escalou para uma crise internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na semana passada já havia dito que os EUA estavam “prontos para ajudar”, intensificou sua retórica. A bordo do Air Force One no domingo, Trump afirmou que o Irã “está começando” a cruzar sua “linha vermelha” de matar manifestantes e que suas forças armadas estão considerando “algumas opções muito fortes”. Ele alegou que o Irã, sentindo a pressão, entrou em contato para propor negociações, mas advertiu: “podemos ter que agir antes de uma reunião”. O Wall Street Journal relatou que Trump será informado por assessores nesta terça-feira (13) sobre um leque de possibilidades, que inclui desde ataques cibernéticos secretos e ampliação de sanções até ataques militares diretos.

A resposta iraniana às ameaças americanas foi imediata e direta. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária, fez um alerta solene: “Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados (Israel), bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”. Esta ameaça explícita de retaliar contra alvos americanos e israelenses elevou o risco de um conflito regional mais amplo. Fontes israelenses confirmaram que o país está em “estado de alerta máximo” diante da possibilidade de uma intervenção dos EUA.

O cenário é de extrema volatilidade. De um lado, um regime iraniano determinado a esmagar a maior onda de protestos desde 2022, utilizando todos os meios, da violência nas ruas ao bloqueio total de informações. Do outro, uma administração americana que, sob Trump, demonstra disposição de usar a força de forma preventiva, transformando uma crise de direitos humanos em um potencial conflito armado. No centro, a população iraniana, que lida com uma inflação devastadora, a desvalorização da moeda e a falta de perspectivas, e que agora vê seu protesto pacífico ser respondido com balas e seu país ser isolado do mundo e colocado na rota de uma guerra. Os próximos dias serão cruciais para definir se a repressão conseguirá sufocar o movimento ou se a intervenção externa, real ou ameaçada, alterará de forma irreversível o curso dos eventos no Irã e no Oriente Médio.

Aurélio Fidêncio

(15) 99732-1144

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