{"id":11814,"date":"2026-02-13T02:12:55","date_gmt":"2026-02-13T05:12:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.clickaracoiaba.com.br\/?p=11814"},"modified":"2026-02-13T02:12:57","modified_gmt":"2026-02-13T05:12:57","slug":"tem-muita-terra-sem-gente-tem-muita-gente-sem-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clickaracoiaba.com.br\/?p=11814","title":{"rendered":"TEM MUITA TERRA SEM GENTE. TEM MUITA GENTE SEM TERRA"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PLANTAR PARA COLHER E ALIMENTAR<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>No princ\u00edpio, era a terra; era semente.<\/strong><br>Tup\u00e3, senhor dos trov\u00f5es e da cria\u00e7\u00e3o, soprou o divino alento sobre o mundo e fez do ch\u00e3o um ventre f\u00e9rtil.<br>De suas m\u00e3os nasceu a vida, e da terra molhada brotaram os primeiros povos \u2014 os povos origin\u00e1rios, os verdadeiros donos da terra, filhos do Sol, irm\u00e3os da Lua, guardi\u00f5es da mata, filhos da esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os raios de sol, semeavam-se os ciclos da natureza. Florestas se ergueram em rever\u00eancia, rios cantaram em correnteza sagrada.<br>Tudo era comunh\u00e3o, tudo era respeito.<br>Ele gerou as deusas da abund\u00e2ncia:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>a Deusa da Agricultura, que ensinou a semear;<\/li>\n\n\n\n<li>a Deusa da Fertilidade, que fez brotar o amor da terra;<\/li>\n\n\n\n<li>e a Deusa da Fartura, que pintou os campos de alimento.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Mas chegaram os invasores do al\u00e9m-mar.<br>De Portugal vieram com cruz e espada, cercaram o mundo com cercas e decretos, e disseram que a terra agora tinha dono.<br>Nascia o latif\u00fandio, a divis\u00e3o sem justi\u00e7a, a heran\u00e7a da dor que ainda grita:<br><strong>Tem muita terra sem gente, e muita gente sem terra.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O negro, arrancado da \u00c1frica como raiz \u00e0 for\u00e7a, plantou resist\u00eancia nas lavouras de cana-de-a\u00e7\u00facar.<br>Entre o a\u00e7oite e a enxada, ergueu os quilombos.<br>Ali floresceu a ro\u00e7a da liberdade, o saber ancestral da terra para a subsist\u00eancia.<br>Vieram outras culturas, sementes de outros mundos:<br>o algod\u00e3o, o trigo, o verde das hortali\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo cultivado com suor e esperan\u00e7a, por m\u00e3os imigrantes.<br>De gr\u00e3o em gr\u00e3o, no suor da colheita,<br>foram escrevendo a mem\u00f3ria de um Brasil plural.<br>E pela terra, houve lutas e guerras:<br><strong>Canudos e Contestado<\/strong>&nbsp;\u2014 campos de f\u00e9 e sangue,<br>onde o povo dizia n\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Das cinzas dessas lutas nasceu a teimosia da esperan\u00e7a.<br>A resist\u00eancia virou reza,<br>a f\u00e9 virou feij\u00e3o na panela.<br>Mas a gan\u00e2ncia e a cobi\u00e7a humana n\u00e3o se calam:<br>derrubam florestas, envenenam solos,<br>espalham o veneno com m\u00e3os de lucro.<br>A cobi\u00e7a se disfar\u00e7a de progresso, mas mata o amanh\u00e3.<br>Os latif\u00fandios seguem se alastrando,<br>como praga que sufoca o broto.<br>V\u00eam as secas, queimando a esperan\u00e7a,<br>e as lavouras gemem sob o peso da peste:<br><strong>pragas semeadas pela ambi\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O chap\u00e9u-de-bruxa encobre os campos,<br>como sombra da desordem natural,<br>e a colheita chora no sil\u00eancio da terra.<br><strong>Tem muita terra sem gente, e muita gente sem-terra<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O querer do pedacinho de ch\u00e3o insiste em germinar,<br>e nos campos, enquanto a esperan\u00e7a brota em segredo,<br>os aliados pequenos vigiam:<br>abelhas polinizam os sonhos,<br>joaninhas guardam os brotos,<br>lib\u00e9lulas dan\u00e7am com a luz,<br>aranhas tecem teias de equil\u00edbrio.<br><strong>Capuchinha, funcho, girassol<\/strong>&nbsp;\u2014<br>plantas que protegem com perfume e cor,<br>dizem que a natureza \u00e9 sabedoria que cura.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ro\u00e7a, o homem do campo, com sua f\u00e9, ora, agradece ao sol,<br>sa\u00fada a chuva, faz da casa um altar de barro e ternura.<br>O galo canta e desperta o meu lugar,<br>terra f\u00e9rtil de hist\u00f3ria, mem\u00f3ria viva do ch\u00e3o.<br>Ali, o porco, a vaca leiteira, a cabra<br>e a galinha com seus ovos no quintal,<br>as crian\u00e7as cantam para plantar.<br>Milho cresce, feij\u00e3o floresce,<br><strong>que o p\u00e3o da terra nunca falte!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O homem do campo ara a terra com bravura e devo\u00e7\u00e3o,<br>cultiva a terra feito as flores que cobrem esse ch\u00e3o.<br>Arar, semear, cuidar, colher os frutos desse ch\u00e3o:<br><strong>\u00e9 essa a liturgia do lavrador,<\/strong><br>em cada esta\u00e7\u00e3o, em cada ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>E a agricultura crioula resiste.<br>Com sementes guardadas em latas antigas,<br>com canto e mutir\u00e3o.<br>Lavrador, com as m\u00e3os calejadas, lavra o ch\u00e3o:<br>milho crioulo, arroz org\u00e2nico, caf\u00e9 de quintal, cacau de esperan\u00e7a.<br>Verduras que brotam em quintais humildes,<br>legumes regados com f\u00e9 e paci\u00eancia.<br>Tua arte \u00e9 cultura, o of\u00edcio do campon\u00eas \u00e9 a agricultura.<br>Sabedoria para cultivar, preservar essa riqueza.<br><strong>Terra farta, gente feliz<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Porque a terra dividida com justi\u00e7a<br>\u00e9 a colheita que alimenta todos.<br><strong>Divide esse ch\u00e3o, para colher<\/strong>.<br>Semear o gr\u00e3o \u00e9 plantar e colher para alimentar o mundo.<br>\u00c9 a festa da partilha, o banquete da sustentabilidade.<br>Plantar com a natureza \u2014 e n\u00e3o contra ela \u2014<br>\u00e9 semear futuro, \u00e9 colher dignidade.<br>\u00c9 preciso progredir, dividir e proteger.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o vem a grande festa da colheita!<br>A ro\u00e7a canta, a terra sorri, e o povo desfila sua vit\u00f3ria.<br>A enxada vira estandarte, a palha \u00e9 fantasia,<br>o suor vira brilho na avenida.<br>Pois a Terra \u00e9 m\u00e3e, \u00e9 altar, \u00e9 amanh\u00e3.<br><strong>E quem planta com amor,<br>colhe o eterno carnaval da fartura.<\/strong><br>Colhe o amanh\u00e3 no hoje,<br>colhe a vida com alegria,<br>colhe a esperan\u00e7a feita flor,<br>e samba \u2014 samba como quem agradece:<br>por cada semente, por cada fruto,<br>por cada homem do campo que nunca desistiu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send\/?phone=5515997321144&amp;text=Quero+destacar+meu+negocio+na+internet&amp;type=phone_number&amp;app_absent=0\" target=\"_blank\" rel=\" noreferrer noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"250\" src=\"https:\/\/www.clickaracoiaba.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/banner-clickaracoiaba-2026.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11703\" srcset=\"https:\/\/www.clickaracoiaba.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/banner-clickaracoiaba-2026.jpg 960w, https:\/\/www.clickaracoiaba.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/banner-clickaracoiaba-2026-300x78.jpg 300w, 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