Homem atira dentro de igreja em Campinas, mata quatro e se suicida

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Quatro pessoas foram mortas a tiros na Catedral Metropolitana de Campinas (SP), no início da tarde desta terça-feira (11)

Ao menos quatro homens foram mortos e outras quatro pessoas foram feridas a tiros na Catedral Metropolitana de Campinas (SP) no início da tarde desta terça-feira (11). Ainda não identificado, o atirador entrou na igreja, sentou-se entre os fiéis e passou a disparar contra os presentes logo após o final da missa.

Segundo a Polícia Militar, o atirador se matou após o ataque -ele portava uma pistola 9 mm e mais um revólver- as duas armas estavam com as suas numerações raspadas. A motivação do ataque ainda é desconhecida.

Foto: Denny Cesare

Chacina da Catedral de Campinas – Foto: Denny Cesare

Os tiros foram disparados após a missa das 12h15. A PM diz ter registrado um chamado pelo 190 às 13h25, com uma pessoa dizendo que um homem de camiseta azul e calça jeans havia entrado na catedral.

Uma câmera do circuito interno de segurança da catedral mostra ação do atirador. No vídeo, obtido pela Folha, ele de repente se levanta e passa a disparar contra um grupo de pessoas sentada logo atrás dele.

Foto: Denny Cesare

Chacina da Catedral de Campinas – Foto: Denny Cesare

O atirador em seguida caminha para a frente da igreja e começa a disparar contra os policiais. Ele ainda teve tempo de trocar o pente da pistola até ser atingido no tórax. Caído, disparou contra a própria cabeça. Ele ainda tinha 28 balas em pentes na mochila e não carregava documento de identidade. A perícia recolheu as impressões digitais do atirador, a fim de identificá-lo.

Foto: Denny Cesare

Chacina da Catedral de Campinas – Foto: Denny Cesare

“Entrei na igreja, a missa já havia terminado. Alguns minutos depois o atirador entrou e se posicionou na frente de um casal e atirou”, conta o aposentado Pedro Rodrigues, 66. “Eu saí correndo, não houve gritaria apenas correria. E ele continuou atirando. Eu tenho muita sorte de estar vivo”.

A assistente-administrativo Luciana de Oliveira, 36, disse ter ouvido um grande número de disparos, quando passava perto do templo. “Ouvimos muitos tiros e as pessoas gritando, chorando. Vimos o homem baleado no peito saindo de maca. Foi horrível”.

O entorno da igreja, região comercial da cidade, estava cheio no momento do crime, devido à proximidade do Natal. Por isso, o policiamento na área também era reforçado, o que agilizou a chegada dos policiais ao local.

Uma das vítimas ao chão - Foto: Denny Cesare

Uma das vítimas ao chão – Foto: Denny Cesare

Moradora de rua, Artemis José de Oliveira, 40, conta que viu os feridos saindo da igreja. “Ouvi os tiros e vi um senhor com sangue no ombro saindo e uma senhora também baleada que caiu na porta. A polícia saiu atirando na porta pra dentro da igreja. Teve troca de tiro”, afirma. “Pensei nos fiéis da igreja que sempre nos ajudam. Foi horrível”.

“A intenção era atirar. Ele já atirou ‘fatalizando’ as pessoas. Não tinha nenhum motivo específico que não fosse a loucura dele”, disse o secretário municipal de Segurança de Campinas, Luiz Augusto Baggio.

Quatro homens, todos idosos, morreram no local. Outras quatro pessoas foram atingidas e socorridas pelos bombeiros e pelos médicos do Samu. Os bombeiros informaram que os sobreviventes vão passar por cirurgia para a retirada dos projéteis que atingiram partes vitais. O estado de saúde deles não foi divulgado.

Uma das vítimas ao chão - Foto: Denny Cesare

Chacina da Catedral de Campinas – Foto: Denny Cesare

A Catedral de Nossa Senhora da Conceição fica na principal área comercial da cidade. Por meio de nota, a arquidiocese de Campinas informou que a catedral está fechada para o atendimento às vítimas e para as investigações da polícia. “Contamos com as orações de todos neste momento de profunda dor”, segundo trecho do comunicado.

O prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), decretou luto oficial de três dias, a contar a partir desta terça-feira (11).

Chacina da Catedral de Campinas - Foto: Denny Cesare

Chacina da Catedral de Campinas – Foto: Denny Cesare

Estatuto do desarmamento

A eleição de Jair Bolsonaro (PSL) provocou uma nova discussão sobre ampliar o acesso a armas para autodefesa. Durante a campanha, ele prometeu revogar o estatuto caso fosse eleito. Para fazer isso, porém, é necessária aprovação do Congresso.

Aprovado em dezembro de 2003, o Estatuto do Desarmamento limitou a posse de armas no país e tirou milhares de armamentos das ruas. Até o início de 2014, quase 650 mil armas de fogo foram entregues voluntariamente pela população.

Atualmente, 55% dos brasileiros acham que as armas devem ser proibidas por representarem ameaça à vida dos outros, e 41% avaliam que possuir uma arma legalizada deve ser direito do cidadão que queira se defender. Os dados são de pesquisa Datafolha de outubro deste ano.

Em novembro de 2013, 68% achavam que as armas deveriam ser proibidas, e só 30% queriam armas liberadas. De um lado deste debate está a hipótese da letalidade, em que o aumento de armas leva ao avanço dos conflitos com mortes, além da redução dos custos dos criminosos para obterem armas -porque preços no mercado paralelo caem ou porque fica mais fácil se apropriar de armas legais.

No extremo oposto, está a hipótese do uso defensivo de armas, segundo a qual a proliferação de armamentos diminuiria a incidência de crimes ao mudar o cálculo de risco de criminosos. Eles seriam desencorajados do enfrentamento diante da maior probabilidade de encontrarem resistência inesperada por parte da vítima. Lei federal de 2003, o Estatuto do Desarmamento regula o acesso a armas e restringiu o porte e a posse em todo o país. Ainda assim, em média seis armas são vendidas por hora no mercado civil nacional. Neste ano, até 22 de agosto, haviam sido vendidas 34.731 armas no país. ​

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